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Discussão:Páginas imortais da mitologia indígena

De A Onça e a Diferença

Sobre Uma história da Lua (mito Uanana)

Que prazer ler uma história da Lua em narrativa occidental mas tão inspirada nas narrativas amazônicas! Tem um cheiro e um ritmo das Mil e uma noites, aquele feitiço de uma história dentro de uma história, mas como um reflexo gêmeo da primeira. Uma dobradura em lenço de seda branca! Um querer saber o que foi contado aos outros em segredo dentro do conto, e que a gente espera ouvir, escutando a história.

Comparando esta versão do mito de Lua com outras versões amazônicas que conheço, o que é marcante é que a adroginia de Lua seja tão explicitamente elaborada; androginia, mas homosexualidade também. É uma coisa ótima, porque encaixa perfeitamente com as nossas pesquisas sobre duplos, gêmeos... Também encaixa com a questão do desejo — desejo de saber e desejo de sedução —, mas que não chega à satisfação; porque buscar isso leva ao desvanecimento, ou ao desdobramento do objeto de desejo. É Lua que se desdobra e se desfaz quando se quer saber quem ela-ele é, para mim, para outros, para ele-ela mesma. Ela-ele, não é fácil reconhecê-lo-la. Adora brincar com as suas identidades, suas perspectivas, suas roupas, seus rostos feitos de espelhos.

Esta versão tukano não faz uma menção explícita ao incesto, nem à escritura no rosto de Lua com jenipapo, nem ao assassinato de Lua, nem ao sangue menstrual. Mas acho que seria possível reencontrar todos esses aspectos transformados na história.

O tema do querer saber quem é o amante é o fio condutor da história, tanto quanto nas versões mais clássicas em que a garota (ou a sua mãe, ou o seu outro irmão) quer saber quem é o seu amante noturno e marca o rosto dele com jenipapo para poder reconhecê-lo à luz do dia. Nesta versão de AmaZone, quando, finalmente, as garotas aprendem quem é o amante delas, tomam consciência não do incesto entre irmã-irmão ou filha-pai, como nos mitos clássicos, mas da androginia de Lua e de sua sexualidade narcísica, já que Lua se ama a si mesma em seu reflexo. Ela-ele é realmente incestuosa! Por terem conhecido “uma a uma” a identidade de Lua (que não é uma identidade fixa mas um jogo de reflexos de si, reflexos que se desdobram), as garotas ficam grávidas. Evidentemente, “conhecer” é um eufemismo para relações sexuais (sex is knowledge!). Ora, ficar grávida é tambem uma capacidade de se desdobrar... Mas, para isso, é preciso sangrar.

É interesante que os garotos descubram antes das garotas que Lua é andrógino. E que eles só fiquem apavorados com “o fogo frio” que vem de longe quando se produz a união do par andrógino. É interesante essa ênfase no medo masculino: não há nehuma menção ao medo feminino. Pessoalmente, eu sugeriria que esse fogo gelado é uma imagem da menstruação, já que em muito povos amazônicos a menstruação é descrita como um momento de grande frieza e também de grande quentura, por causa da raiva e do sangue, que é quente. Uma outra imagem da menstruação é o rio onde Lua sempre vai sentar-se à noite e onde as moças caem.É claro que o rio mesmo tambem é o reflexo do brilho de Lua na noite, assim como o sangue menstrual é o reflexo de Lua no corpo das mulheres.

Sobre a morte de Lua: a intenção de matar Lua (o seu amante, que é ela-ele mesmo) é explícita. A história não tem um episódio de morte explícito, mas tem uma menção à decapitação, pois a última coisa que se vê de Lua é só a cabeça dela-dele, levada pelo rio. É a famosa cabeça sem corpo que encontramos em tantos e diferentes aspectos das nossas etnografias. (Também fora da Amazônia: as culturas pré-incaicas dos Andes estão cheias de cabeças decapitadas.)

Bom... Fiquei prisioneira dessa paixão, e escrevi, escrevi. Obrigada, AmaZone, por essa linda história! Ciaocito. Luisa Belaunde. (15/12/05)


Sobre Esse outro Édipo. A página Filiação e Aliança em AE e MP, recentemente criada neste wiki (para não falar da questão sobre a privatização/coletivização de Pui’ito) parece tornar questionável o título dado a esse resumo de Lévi-Strauss. Merece lembrança, ainda, que já o autor dizia que a evocação do mito de Édipo era algo que se dava à escuta ocidental.TSL 21:38, 10 Dez 2005 (UTC)



Acho que o AmaZone (o autor com esse nome) poderia começar a cogitar sobre um projeto de escrever e publicar (em papel) uma espécie de livro com alguns/vários desses mitos comentados, em níveis variados de intensidade. O que tenho em mente é um trabalho que funcionasse como uma introducão, ilustracão e discussão concreta do perspectivismo amazônico. E que tivesse como alvo um público amplo, do ponto de vista dos interesses, da formação, da idade, da etnia etc. Não se trataria de livro “popular”, no sentido racista que esta palavra usualmente tem, nem “infanto-juvenil” (idem); mas, etnológico sem sombra de dúvida, não se trataria tampouco de um livro “técnico”. Devaneando, imagino que com a fortuna que AmaZone ganharia, ele/a/s poderia/m financiar outras publicacões sobre a “discursividade imaginativa ameríndia”. O que acham? EVC

Um livro que seja um luxo, então — o que já não é sem tempo. Vamos fazer! E por falar nisso, Eduardo, não existe uma edição em separado do canto da Castanheira? Não poderia ser republicado por AmaZone? TSL 20:39, 10 Dez 2005 (UTC)
Boa idéia ! Vamos. OBJ 12:40, 11 Dez 2005 (UTC) (finalmente descobri a tal tecla da assinatura... Uma pergunta: não tem jeito de eliminar a data e a hora, parece citação biblica isso aqui)




Sobre a narrativa de Luís Baú, quem se dispõe a fazer um comentário? Sobre, por exemplo, a multiplicação sequenciada por dois, a distinção entre nome "próprio" para si e nome "próprio" para outrem? Ou então sobre a fruta que Adão comia antes de Eva existir? TSL 21:38, 9 Dez 2005 (UTC)




Sobre el relato Emerillon. Me parece que ese mito es de gran interés, no solamente porque es uno de los pocos documentos etnográficos (que conozco) donde se explicita claramente un especie de "meta-perspectivismo" o de perspectivismo portado a la potencia dos, tres, o N – el anaconda del anaconda del anaconda... – pero también por otra razón. Uno se da cuenta, que si bien los anacondas son "humanos" non son humanos y jamás serán humanos como "nosotros" (los Emerillon). Como dice el Anaconda : "somos para ustedes (los E.)Extranjeros largos y así nos deberían llamar". Lamento no saber que expresión Emerillon a sido traducida así. Pero se deduce del mito, si no estoy equivocado, que los cuerpos de los humanos y de los anacondas son diferentes incluso cuando son capaces de tener una relación interpersonal con un humano y de enseñarle la differencia que separa su respectiva perspectiva. Se nota muy bien en ese relato la ignorencia inicial del humano, y el discurso pedagogico del anaconda. Eso presupone que a la diferencia del humano, al initio el anaconda es ya un ser "multi-perspectivo" (un chaman?) que puede decir al humano en substancia : "lo que experimentas como X aqui, es para ti cuando vives con los tuyos Y ". Una tal proposition presupone que el anaconda tiene una experiencia previa de un mundo possible experimentado a traves de la perspectiva humana; tal vez, podriamos decir que es el anaconda que determina la perspectiva humana como tal, es decir como diferente de la suya. Por otro lado a pesar de conseguir un espacio-tiempo propicio a ese encuentro transespecífico, los actantes descubren que no se apaga la diferencia corporal que los separa. Eso apunta talvez a la idea que la "corporeidad" vivida del anaconda, o la reflexividad del anaconda, no es idéntica a la relación reflexiva que los humanos (o los Emerillon) tienen respectivamente a ellos mismos. Es solamente "parecida" o "aproximada". La "proximidad" me parece un concepto interesante en ese caso. Podría talvez decirse que es la versión "intensiva" del concepto de identidad, opuesta a version extensiva o formal como igualdad (?). Sea como sea la mención de que el Anaconda diga "somos para ustedes "extranjeros largos" y, fuera de ese contexto, que el narrador diga que los Anacondas, cuando se los ve como personas, no tienen ombligo sugiere que hay un "segundo" cuerpo debajo del cuerpo de víbora que persiste en mostrarse como diferente, ello incluso cuando se puede charlar con un anaconda/persona. Pero ese cuerpo "segundo" es tambien una metonymia del cuerpo "primero" ya que el hecho de que los "anacondas" sean largos, apunta talvez a su forma serpentiforma y la ausencia de ombligo a la reproduccion de los reptiles. Sera que el concepto de "esquema de identificacion" como continuidad de interioridad y discontinuidad de phisicalidad podria dar cuenta de esa elaboracion mitologica? O bien un tal mito sugiere posiblemente que se debe ir mas allá de la constatacion que los "animales se ven a ellos mismos como los humanos se ven a ellos mismos". Por lo menos ese ejemplo indica una sutil y a la vez incompresible frontera cuyos maracadores son pequeños detalles anatómicos (largo, sin ombligo). La proximidad (o la diferencia temperada) que permite al humano de aprehender al charlar como el anaconda, la perspectiva humana como extraña, no presupone una identificación "completa" del humano con el anaconda. Ahora si pensamos en el tema de la metamorfosis, ese mito apunta también a una cierta desconexión entre la posibilidad de encontrarse con una subjetividad no-humana, y charlar con ella "diplomáticamente" sobre "que tal es el mundo por aquí" (en vez de comerse) y un volverse otro metamórfico. Pienso que para que un Emerillon se vuelva el mismo "Etranger long", la condición imprescindible es que muera. Que quiere decir morir en ese caso? Ni más ni menos que perder definitivamente el anclaje de su perspectiva encarnada en un cuerpo/afecto “Emerillon” construido debajo el régimen de cuidado mutuo de sus parientes cercanos. Morir puede tener el mismo sentido que "no volver mas" : abandonar su cuerpo y sus lazos humanos, por querer sentirse mejor en otra parte con otros parientes.


Debemos tener también en cuenta para aprehender ese relato el papel muy particular que los anacondas tienen en la "iniciación" chamánica como la demás parte del mito lo muestra. Presenta de hecho una version "laica" (narativa) de un "aprentisaje" chamánico. Los anacondas de los Emerillon aparecen como seres muy peculiares que resisten a toda clasificación univoca. De un lado son "predadores" (comedores de carne humana - enemigos, alias de jaguares), al mismo tiempo son "espíritus", en fin son “víboras”. La capacidad de los anacondas de enseñar "la visión" como dicen los editores/traductores del relato esta vinculado a otro punto. Es muy importante recordar que el anaconda es también la cuña de la multiplicad de perspectivas actualizadas y encarnadas en el mundo de hoy. Como lo hacen notar los editores/traductores : los animales en cuanto especies diferenciadas por sus cuerpos no son mas que el resultado - mediante un procesos de putrefacción - del desmembramiento y de la desmultiplicación de un cuerpo de anaconda (Etranger-long). Eso no hace recordar por supuesto los diversos comentarios hechos en este Wiki, sobre las oposiciones paralelas continuo/discontinuo, cromático/diatónico, natura/cultura, diferencia infinita/ diferencia finita, que tienen en parte por respaldo etnográfico los mitos recogidos por Koch-Grünberg (esp. el relato Arekuna) y trabajados ya par Lévi-Strauss en CC. De hecho el anaconda "encarna" en los dos sentidos su papel crucial porque su piel es recubierta de una "cutícula?" que a veces se parece al arco-Iris o que brilla cuando cambia de piel. Hay tal vez que reflexionar sobre el cromatismo (continuo) como "fondo intensivo" que se abre en la "multiplicidad" (diversidad/ variedad) de perspectivas actuales. De allí la traducción etiológica o genésica y la "mise en intrigue" de la producción/actualización de las especies como oriundas de un anaconda/arco-Iris o de un arco-iris/anaconda. El problema se complica cuando tenemos un monstruo responsable de la diversidad de las especies que no tiene ninguna referencia al "cromatismo". Eso seria el caso yuracaré, por ejemplo, donde el monstruo de quien los pájaros - y aquí exclusivamente ellos - recuperan sus colores es una víbora/surubi(pescado)de amaño imenso. Podemos decir quizás que por el medio del concepto de "hibrididad" se apunta a una diferencia exesiva que no es mas que una transformacion, al plano anatomico, del "cromatismo" : un cuerpo hybrido no es una suma de elemento diversos pegados (un pachwork de elementos recompuesto)- eso es nada mas que un "épouvantail". El diablo es un ser cuya cabeza se prolonga -continuidad - por cuernos, o cuyas patas se vueleven patas de oveja.(VH)


• Acho a nota da diferença de corpo importante e que não é necessário que corresponda a diferença de “espécie”: pode ser de “povo” — parece que é justo isso o que a anaconda pretende reivindicar; • também me parece provável que parecença/similaridade seja mais o caso que identidade; a imbricação do conceito de metamorfose e o de perspectiva é complicada para mim: não creio que se confundam: são no máximo estados distintos de um mesmo conceito.TSL