Usuário Discussão:E. Viveiros de Castro
De A Onça e a Diferença
Estou me perguntando se não é o contrario que teriamos de fazer... Nao tanto desdobrar o Solo do perspectivismo, mas sim tentar incluir os desdobramentos paralelos nele... o que vc acha ? OBJ 20:51, 16 Dez 2005 (UTC)
Vou dar uma pensada na tua mensagem, Eduardo, e te escrevo daqui a pouco. TSL 17:58, 12 Dez 2005 (UTC) Escrevi na discussão do Portal, para encurtar o caminho. TSL 21:10, 12 Dez 2005 (UTC)
Esta é para ti (o de forest of mirrors, e outros):
“Si a nutria levanta a cabeza es que percibe a los Yanomami como puntos minúsculos.”
- Lê-se numa história de caçada mal-sucedida, Los pueblos indios en sus mitos, Yanomami, p. 17.TSL 17:02, 11 Dez 2005 (UTC)
Eduardo: Li "Perspectival Anthropology and the Method of Controlled Equivocation"
Muito-muito interessante o desenvolvimento do tema da equivocidade.
Comoveu-me sua fala sobre o Urban. Concordo totalmente com a observação sobre Weiss. Achei bonita a unidade extraída dos três equívocos: Porto Rico, Urban, Milton. Sua teoria da tradução me pareceu mais xamânica do que outras que tentaram aproximar xamanismo e tradução. Pois lembra a explicação do telégrafo sem fio oferecida por Guimarães Rosa; se lembra?
“O perspectivismo indígena é uma teoria da equivocação, quer dizer, da alteridade referencial entre conceitos homonímicos. A equivocação aparece aqui como o modo de comunicação por excelência entre diferentes posições perspectivas...” (p. 5). Por mais diversas que sejam as realizações concretas da equivocação, uma só e mesma é a sua coerência: de termo de parentesco, mulher falando/homem falando, até rio, gente falando/sucuri falando;
Da sua descrição das relações irmão/primo cruzado, chego... ao perpétuo desequilíbrio dual; ambas existem nos sistemas indígenas, mas com a diferença crucial: o Adão, a Igreja, o Genoma se multiplicam ao infinito, são perspectivos: não se pode ser o Adão de dois irmãos sem que o mais velho se torne um Adão para o mais moço. Por outro lado, a simetria fraternal (entre aspas) existe bem na banda do Sogro, entre os seus genros. O que são ‘amigos’ entre os Yudjá? “indivíduos identicamente relacionados a um terceiro termo” (p. 18), ou então identicamente ligados ao terceiro um do outro (co-sogros). Que são os afins-bio do Bruce?
A afinidade como modelo geral da relação: “aparece como uma conexão cruzada com um termo mediador, que é visto de modo diametralmente oposto pelos pólos da relação: minha irmã é tua esposa e/ou vice versa. Aqui, as partes envolvidas acham-se unidas por aquilo que as divide, ligadas por aquilo que as separa. Minha relação com meu cunhado depende de minhas avências de uma relação outra que a relação dele com minha irmã ou minha esposa” (p. 19, tr. livre) Ora, isso é descrição do dualismo diametral, com sujeito ejetado lá pra fora, como deve ser; quer dizer, dupla oposição diametral, duas díades e um terceiro. A diferença irmã-esposa liga-e-separa afins —> a idade relativa não fugiria disso, creio, pois — em tese, ao menos — cada um é “o do meio”. A idade relativa sendo assim, se aplico tua idéia, translação/transdução da geração.
“A relação ameríndia é uma diferença de perspectiva” (p. 19) e o seu gênero implica um série logicamente anômala: quantos termos forem mais 1 terceiro.
Essa idéia de “cosmologia literalmente perspectivista” (p. 16) gera uma coisa tão engraçada quanto a fórmula de Latour — para um relativista, relativista e meio; “metáfora é a perspectiva errada” — concordo totalmente que o erro seja o que ela faz com a perspectiva: muitas pessoas sentem-se fragilizadas com o questionamento da metáfora, parece que pensando que lhes quereriam tomar as montanhas e os pinheiros. Lembrou-me a “dupla descrição” de Bateson (que só conheço via Sylvia): o relativismo parece realmente um somatório de visões monoculares: nunca é vertiginoso, como se disse há meio século.
Você realmente acreditaria na necessidade de redistribuir ao modo wagneriano as funções natureza e cultura? Não conheço satisfatoriamente o problema, deve ser por isso que a coisa me parece com redistribuição simétrica à la Bororo.(fica bravo, não...). Tânia
Eduardo: Acho legal a idéia da rodada sobre perspectivismo para 2006, ainda mais que isso pode dar um novo andar ao AmaZone. Não fique pensando na questão que fiz sobre sua suposta crença; quanto ao tema da crença, aliás, você não estaria mais para o Anchieta do (friso bem) Jorge de Lima? Também vi muita verdade na transdução que ele fez. Prometo uma cópia. Até... TSL 00:19, 4 Ago 2005 (UTC)